29 de set. de 2010

II Seminário de Inovação em Governo Eletrônico – Parte 3

O Governo de Inovação na Copa 2014: uso de redes sociais e dados governamentais abertos

A Secretaria do Planejamento e Gestão foi representada no evento pelo sociólogo Paulo Augusto Coelho de Souza, do Departamento de Modernização da Gestão Pública.  Disse que temos que considerar as velocidades de resposta, que do governo são tradicionalmente lentas contra a velocidade da sociedade, que é extremamente rápida, pois hoje adota a utilização em massa de tecnologias Internet. Essa tendência justifica-se ao considerarmos a geração Z – eles já nasceram na tecnologia “touch screen”. A tendência é uma subversão da hierarquia, a qual poderá provocar um caos total nos atuais padrões, pois a geografia e o tempo deixaram de ser importantes. E o Twitter é uma prova disso. Disse também que o RS acredita que é possível inovar no governo, e atual desafio é implantar o melhor método de fazer isso ocorrer. E a estratégia, já em execução, é incentivar o relacionamento entre o governo e a sociedade, estimulando o uso de redes sociais no governo e a disponibilização de dados governamentais abertos. E dentro desta estratégia, vale lembrar que já está em execução, dentro dos programas e projetos estruturantes, o projeto de E-GOV do RS.

Vagner Diniz, gerente geral do W3C no Brasil, iniciou dizendo, quanto a dados abertos: “alguém teve a idéia, e os outros fizeram melhor”. Já existem várias iniciativas na utilização de dados abertos, como ocorreu com os dados do SAC da Prefeitura de São Paulo: como era só possível reclamar e não ter como acompanhar o que está sendo feito, um hacker ético criou o SACSP, um projeto de hacking cívico que colheu dezenas de milhares de reclamações públicas no site oficial disponibilizando, em um mapa, um mapeamento objetivo das demandas municipais que, encontrando padrões de ocorrência, permite até mesmo antecipar os problemas. Outro exemplo é a utilização de dados abertos do Congresso Nacional, propiciando o projeto VoteNaWeb, onde a sociedade pode votar, antecipadamente, e consultar a popularidade de cada projeto de lei. Apresentou o conceito de David Eaves: "Dados governamentais abertos é a disponibilização de informações governamentais representadas em formato aberto e acessível de tal modo que possam ser reutilizadas, misturadas com informações de outras fontes, gerando novos significados". Apresentou, inclusive: "O melhor uso que poderá ser feito com os seus dados certamente será feito por outros e não por você" (The Open Mind Principle). O Portal da Transparência do Tribunal de Contas dos Municípios do Estado do Ceará e da Controladoria-Geral da União já disponibilizam dados abertos. Já o Blog do Planalto, como não oferece espaço para comentários dos leitores, foi clonado com conteúdo idêntico, permitindo a interação com a população. E acrescentou que, além da necessidade de ampliar a oferta de dados abertos, é necessário oferecer recursos de acessibilidade, pois somente 2% dos sites governamentais oferecem hoje algum tipo deste recurso. E concluiu: "Podemos construir a maior rede social do planeta"!

Pedro Markun, da Comunidade Movimento Transparência Hacker, preferiu discursar sem a convencional utilização de slides. Entre suas principais mensagens, disse que a TIC deve ser sim usada para transformar a sociedade, ratificando a idéia contrária do diretor regional da IBM. Em referência aos desafios provenientes da copa em nosso país, disse que “sou um cidadão esperançoso, como um cidadão africano antes da copa”. Disse que a transparência hacker quer ajudar o poder público, e para isso, querem que o governo dialogue com os hackers éticos, e que disponibilizem dados abertos em formatos XML ou outros formatos estruturados. Entre vários exemplos, disse que querem colaborar em soluções para os problemas de trânsito, pois eles mesmos vivenciam isso diariamente. Além disso, querem utilizar as redes sociais para fiscalizar os serviços públicos, e querem que o governo promova incentivos nestas ações.

O chefe do Departamento de Gestão Estratégia, Coronel Marco Antônio dos Santos, da Secretaria de Segurança Pública do Estado do RS, iniciou apresentando uma reportagem veiculada no mesmo dia pela Zero Hora - “Capital passa o Rio em seqüestros relâmpagos”, e disse que a temos que adotar especial atenção na comparação com o uso de dados abertos governamentais de diversas fontes, pois além de não existirem padrões equivalentes de comparação, os dados podem ter sido classificados com diferentes métricas. Disse também que a Secretaria já está disponibilizando os dados da criminalidade do RS em formato aberto, com estatísticas a partir do ano de 2002, o que vem permitindo à imprensa realizar estes tipos de reportagens. Referindo-se à inovação, informou que nenhum outro estado do Brasil publica três tipos de indicadores de criminalidade como no RS (espécie X município X mês/ano), e que já existem iniciativas no uso de redes sociais (Projeto Piloto CIOSP/RISP 2010). Utilizando-se desses dados desde 2007, há uma gestão estratégica aliada a um trabalho articulado com os líderes comunitários, promovendo a diminuição de todos os indicadores. Porém, sempre há trabalho a fazer, citando como exemplo os indicadores de furtos de veículos, que se mantêm em alta. Demonstrou, inclusive, a preocupação em divulgar somente informações úteis à sociedade, evitando o excesso de informação, apresentando o conceito de Infoxicação – “La paradoja de la sociedad de la información es que, de tan abundante, terminamos desinformados. E apresentou as principais realizações deste governo, destacando a inclusão de 8.230 servidores (com previsão de 14.000 para a Copa), a compra de novas viaturas e novos equipamentos, além da mobilização de estrutura mínima para enfrentar atos de terrorismo.

Em breve publicarei a parte 4. Até lá!

24 de set. de 2010

II Seminário de Inovação em Governo Eletrônico – Parte 2

Cases de sucesso e soluções de TIC para a Copa 2014

Roni Wajnberg, gerente do projeto Copa do Mundo 2014 da Oi/Telemar, iniciou falando que há grande preocupação com a infraestrutura de TIC que virará legado após a copa. A OI é patrocinadora oficial da copa no Brasil, e já patrocinou os Jogos Pan-Americanos de 2007 no Rio de Janeiro. Ele apresentou uma previsão de que a copa introduzirá um impacto de R$ 47,5 bilhões na economia do país, R$ 1,6 bilhões considerando somente a cidade de Porto Alegre. O projeto da Oi considera que a infraestrutura de telecomunicações deverá estar pronta já para a Copa das Confederações de 2013, prevendo desde a disponibilização de banda suficiente para suportar transmissão em HD até a operacionalização de Call Center trilíngue, em português, inglês e espanhol. Ele apontou um dado preocupante: nenhum aeroporto brasileiro está na lista dos dez melhores do mundo. Finalizou falando de uma pesquisa realizada com os visitantes ao final da Copa da África do Sul, onde 92% responderam que recomendam aquele país como ponto turístico, e revelou suas expectativas: “Queremos ser melhores!”.

Rodrigo Uchoa, diretor de desenvolvimento de novos negócios e tecnologias avançadas da Cisco, iniciou dizendo que na África foram utilizadas novas tecnologias, e assim ocorrerá novamente no Brasil. E, infelizmente, não é possível prever hoje, com certeza absoluta, qual novidade estará em uso amanhã. A copa é um evento que tem visibilidade internacional, com milhares de jornalistas presentes o tempo inteiro. Um caso de sucesso aqui vira sucesso em escala mundial. Já um fracasso aqui, o mundo instantaneamente saberá. Todos os hotéis precisarão ter banda disponível de Internet, pois na África houve problemas.  É preciso utilizar TIC na modernização do setor de turismo e comércio, com sistemas de ERP e CRM para vender no Brasil e, inclusive, para o exterior. Em seguida, demonstrou um estudo de caso do sucesso do projeto da construção da Allianz Arena, que depois de quase cinco anos de operações e uma bem-sucedida da Copa do Mundo em 2006, ainda é, aos olhos de muitos especialistas, um dos estádios mais modernos da Europa.

O líder do projeto de expansão geográfica no sul do Brasil da IBM, Antonio Carlos Canova, iniciou apresentando um estudo que aponta que em cinco anos cerca de 70% da população mundial vai estar concentrada nas grandes cidades. E sustentou que é necessário investir em TIC para viabilizar o conceito das “cidades inteligentes”. Como exemplos, mostrou a ferramenta de previsão de tráfego de Singapura, o jogo de simulação Smart Work 3D Interactive, o TagMyLagoon para turistas de Veneza, entre outros. Reforçou que o governo é responsável pela iniciativa e gestão do processo de inovação.E que devemos integrar mais sistemas. Uma das possibilidades é implementar soluções de reconhecimento facial para implementar uma solução ágil de segurança, possibilitando chegar a um nível equivalente ao do Centro Integrado de Segurança e Emergência de Madri, que coordena os recursos e ações da polícia, bombeiros, polícia rodoviária, fones de emergência e ambulâncias, entre outros. No final de sua apresentação, mostrou um vídeo do Gauteng Disaster Management Center, criado especialmente para a copa sul africana.

23 de set. de 2010

II Seminário de Inovação em Governo Eletrônico – Parte 1


Abertura do Evento
O diretor-presidente da PROCERGS, Ademir Milton Piccoli, abriu o evento dizendo que o principal desafio é fazer uma copa com o nível de qualidade já realizado nos países de 1º mundo, e que as discussões promovidas neste evento servem para não cometermos os mesmos erros de outras copas e para aprendermos com os acertos.

Em seguida, Eduardo Macluf, secretário estadual de Ciência e Tecnologia, disse que nas outras copas, para nós, brasileiros, só interessava o placar, e que agora nossos interesses são de deixar um legado para o Brasil e para o estado do RS no setor de TI, além do placar, e que o sucesso dependerá da ação dos protagonistas (nós, brasileiros).

Já o secretário extraordinário da Copa 2014, Eduardo Antonini, defendeu a inserção de agentes privados no processo, pois TIC muda freqüentemente. Disse que devemos trabalhar a cadeia inteira de fornecedores de TIC, incluindo a cadeia de turismo e a exposição das cidades na imprensa, incluindo turismo nos municípios do interior. A vistoria será em dezembro de 2012, e teremos que estar prontos.

Challenges and key-learnings from delivery of IT for the 2010 FIFA World Cup South Africa™
Peter Meyer, chefe de TI da FIFA, apresentou uma visão geral da solução de TIC da FIFA utilizada na Copa do Sul da África, possibilitando realizar o evento simultaneamente em nove cidades, em dez estádios. A solução envolve sistemas de transporte, sistemas de acomodações, gerenciamento de operações de TIC, venda de tickets, além de suporte a usuários, equipamentos, sistemas, força elétrica, transmissão de TV, rádio, telefonia, etc. A empresa que é responsável por todas as aplicações de TI da FIFA é a MATCH IT.

Em seguida, Dick Wiles, Co-Executive da MATCH SERVICES AG e diretor da MATCH IT, apresentou sua empresa. A MATCH (Management of Accomodation, Ticketing, Computer/IT Solutions and Hospitality) é uma empresa de serviços baseada na Suíça que foi escolhida pela FIFA para fornecer serviços de bilheteria, hospedagem e tecnologia da informação para a Copa das Confederações da FIFA 2013 e a Copa do Mundo da FIFA 2014. Foi esta empresa que atuou na Copa da África do Sul, em parceria estratégica com a EUROTECH GLOBAL SPORTS e a BYROM. Em seguida, apresentou os principais requisitos das soluções, como a utilização de fibra ótica com redundância dentro dos estádios e as fases do projeto de entrega, que envolve desde o planejamento de seis meses até a completa desinstalação de todos os equipamentos. Quanto à participação de brasileiros neste panorama, ele disse que estes irão ajudar a guiar o evento, pois as copas nunca acontecem da mesma maneira.

Em breve publicarei a parte 2! Até lá!