O Governo de Inovação na Copa 2014: uso de redes sociais e dados governamentais abertos
A Secretaria do Planejamento e Gestão foi representada no evento pelo sociólogo Paulo Augusto Coelho de Souza, do Departamento de Modernização da Gestão Pública. Disse que temos que considerar as velocidades de resposta, que do governo são tradicionalmente lentas contra a velocidade da sociedade, que é extremamente rápida, pois hoje adota a utilização em massa de tecnologias Internet. Essa tendência justifica-se ao considerarmos a geração Z – eles já nasceram na tecnologia “touch screen”. A tendência é uma subversão da hierarquia, a qual poderá provocar um caos total nos atuais padrões, pois a geografia e o tempo deixaram de ser importantes. E o Twitter é uma prova disso. Disse também que o RS acredita que é possível inovar no governo, e atual desafio é implantar o melhor método de fazer isso ocorrer. E a estratégia, já em execução, é incentivar o relacionamento entre o governo e a sociedade, estimulando o uso de redes sociais no governo e a disponibilização de dados governamentais abertos. E dentro desta estratégia, vale lembrar que já está em execução, dentro dos programas e projetos estruturantes, o projeto de E-GOV do RS.
Vagner Diniz, gerente geral do W3C no Brasil, iniciou dizendo, quanto a dados abertos: “alguém teve a idéia, e os outros fizeram melhor”. Já existem várias iniciativas na utilização de dados abertos, como ocorreu com os dados do SAC da Prefeitura de São Paulo: como era só possível reclamar e não ter como acompanhar o que está sendo feito, um hacker ético criou o SACSP, um projeto de hacking cívico que colheu dezenas de milhares de reclamações públicas no site oficial disponibilizando, em um mapa, um mapeamento objetivo das demandas municipais que, encontrando padrões de ocorrência, permite até mesmo antecipar os problemas. Outro exemplo é a utilização de dados abertos do Congresso Nacional, propiciando o projeto VoteNaWeb, onde a sociedade pode votar, antecipadamente, e consultar a popularidade de cada projeto de lei. Apresentou o conceito de David Eaves: "Dados governamentais abertos é a disponibilização de informações governamentais representadas em formato aberto e acessível de tal modo que possam ser reutilizadas, misturadas com informações de outras fontes, gerando novos significados". Apresentou, inclusive: "O melhor uso que poderá ser feito com os seus dados certamente será feito por outros e não por você" (The Open Mind Principle). O Portal da Transparência do Tribunal de Contas dos Municípios do Estado do Ceará e da Controladoria-Geral da União já disponibilizam dados abertos. Já o Blog do Planalto, como não oferece espaço para comentários dos leitores, foi clonado com conteúdo idêntico, permitindo a interação com a população. E acrescentou que, além da necessidade de ampliar a oferta de dados abertos, é necessário oferecer recursos de acessibilidade, pois somente 2% dos sites governamentais oferecem hoje algum tipo deste recurso. E concluiu: "Podemos construir a maior rede social do planeta"!
Pedro Markun, da Comunidade Movimento Transparência Hacker, preferiu discursar sem a convencional utilização de slides. Entre suas principais mensagens, disse que a TIC deve ser sim usada para transformar a sociedade, ratificando a idéia contrária do diretor regional da IBM. Em referência aos desafios provenientes da copa em nosso país, disse que “sou um cidadão esperançoso, como um cidadão africano antes da copa”. Disse que a transparência hacker quer ajudar o poder público, e para isso, querem que o governo dialogue com os hackers éticos, e que disponibilizem dados abertos em formatos XML ou outros formatos estruturados. Entre vários exemplos, disse que querem colaborar em soluções para os problemas de trânsito, pois eles mesmos vivenciam isso diariamente. Além disso, querem utilizar as redes sociais para fiscalizar os serviços públicos, e querem que o governo promova incentivos nestas ações.
O chefe do Departamento de Gestão Estratégia, Coronel Marco Antônio dos Santos, da Secretaria de Segurança Pública do Estado do RS, iniciou apresentando uma reportagem veiculada no mesmo dia pela Zero Hora - “Capital passa o Rio em seqüestros relâmpagos”, e disse que a temos que adotar especial atenção na comparação com o uso de dados abertos governamentais de diversas fontes, pois além de não existirem padrões equivalentes de comparação, os dados podem ter sido classificados com diferentes métricas. Disse também que a Secretaria já está disponibilizando os dados da criminalidade do RS em formato aberto, com estatísticas a partir do ano de 2002, o que vem permitindo à imprensa realizar estes tipos de reportagens. Referindo-se à inovação, informou que nenhum outro estado do Brasil publica três tipos de indicadores de criminalidade como no RS (espécie X município X mês/ano), e que já existem iniciativas no uso de redes sociais (Projeto Piloto CIOSP/RISP 2010). Utilizando-se desses dados desde 2007, há uma gestão estratégica aliada a um trabalho articulado com os líderes comunitários, promovendo a diminuição de todos os indicadores. Porém, sempre há trabalho a fazer, citando como exemplo os indicadores de furtos de veículos, que se mantêm em alta. Demonstrou, inclusive, a preocupação em divulgar somente informações úteis à sociedade, evitando o excesso de informação, apresentando o conceito de Infoxicação – “La paradoja de la sociedad de la información es que, de tan abundante, terminamos desinformados”. E apresentou as principais realizações deste governo, destacando a inclusão de 8.230 servidores (com previsão de 14.000 para a Copa), a compra de novas viaturas e novos equipamentos, além da mobilização de estrutura mínima para enfrentar atos de terrorismo.
Em breve publicarei a parte 4. Até lá!
